A ansiedade é, hoje, um dos sintomas mais comuns do nosso tempo. Crescem as estatísticas, os diagnósticos, os medicamentos e, sobretudo, o número de pessoas que vivem com o peito apertado, a mente inquieta e o corpo em constante estado de alerta. Mas o que essa ansiedade generalizada tem a nos dizer sobre o sujeito e sobre o mundo em que vivemos?

Na escuta psicanalítica, a ansiedade não é apenas um problema a ser eliminado, mas um sinal, algo que aponta para um conflito interno, para um excesso que o sujeito não consegue nomear, mas que insiste em se manifestar no corpo e no pensamento. Ela aparece onde há angústia sem palavra, onde o desejo está sufocado, onde há medo de perder o controle ou de encarar o vazio que há quando o controle falha.

Vivemos numa sociedade que cultiva a velocidade, a produtividade, a performance. A todo momento, somos empurrados para fazer mais, ser mais, responder mais rápido, estar disponíveis. Nesse ritmo frenético, o tempo para escutar a si mesmo desaparece. A ansiedade, então, se instala como resposta ao excesso: de estímulos, de cobranças, de expectativas. E também como defesa diante do que é incerto, do que não se pode prever ou dominar.

Muitas vezes, a ansiedade surge quando o sujeito não consegue dar conta da exigência de ter que se posicionar, se decidir, se responsabilizar por um caminho. Outras vezes, é o oposto: quando se sente paralisado, impotente, sem direção. Em ambos os casos, o mundo interno parece perder a forma, e o corpo reage como se houvesse uma ameaça real, ainda que invisível.

Na psicanálise, buscamos escutar esse sintoma como expressão de uma história. O que está em jogo naquela angústia que não passa? Que ideal, que ferida, que medo está escondido sob a urgência de “resolver a ansiedade”? Porque, muitas vezes, o desejo do sujeito está ali, sufocado sob o peso de padrões, expectativas e traumas não elaborados.

Ansiedade não é fraqueza nem falha moral. É um modo que o inconsciente encontra para avisar que algo não vai bem. E, embora a sociedade ofereça “respostas” rápidas, medicação, frases motivacionais, práticas de autoajuda, a psicanálise propõe o oposto: uma escuta atenta, profunda, comprometida com o que há de único no sujeito.

Num tempo em que tudo parece nos empurrar para fora de nós mesmos, a psicanálise convida ao retorno. Não à repetição do sofrimento, mas à possibilidade de, pela palavra, encontrar outras formas de lidar com a vida. Não para eliminar, mas para compreendê-la e transformá-la em experiência.com respeito, escuta e acolhimento.

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